
Olá queridos amiguinhos!
Estamos mais uma vez aqui reunidos para mais esse momento de descontração, diversão, alegria e tesouradas! Afinal, não há nada mais descontraído, divertido e alegre do que falar mal das pessoas! =P
Vamos começar então!
Há alguns dias recebi um email de uma colega designer perguntando se eu poderia responder uma pesquisa sobre Design Regional. Como sou um cara super prestativo e não estava fazendo absolutamente nada naquele momento, respondi a pesquisa, com uma sinceridade tão impar que fiquei orgulhoso de mim mesmo.
Havia algumas perguntas muito interessantes, que me deixou matutando por um longo tempo, e isso me incomodou a tal ponto que resolvi escrever um artigo (?!) como forma de exorcizar isso da minha cabeça. (ui!)
Inspirar-se em elementos regionais para desenvolver um produto não é uma novidade no Design. Na verdade são elementos tão intrinsecamente conectados que é até certo ponto difícil desenvolver algo que seja totalmente Universal. O designer traz em seu background uma memória coletiva do lugar de onde veio, isso não é vergonha e nem de longe um defeito. É uma virtude que se bem utilizada dará ao produto singularidade.
O problema está quando a análise cultural é tão profunda quanto uma piscina de plástico de 100 litros. Para tornar a coisa mais didática e divertida, vou ilustrar este artigo (?!) com um exemplo muito peculiar que aconteceu em meados de 2009:
Era uma vez, em uma terra não tão distante, mas quente como o inferno, aconteceria o maior encontro de estudantes de designer da América Latina, o NDesign. Na época, a notícia que Pernambuco receberia esse encontro foi recebida com muito entusiasmo pelos estudantes de Design de todo o estado, logo os preparativos começaram a serem feitos, por uma comissão composta por alunos de Recife, em sua imensa maioria.
Confesso que com certa expectativa estava esperando para conferir a marca do NDesign. Porém, qual foi minha decepção ao perceber que a marca do evento tinha sido totalmente inspirada no Movimento Mangue Beat. Veja bem, não estou aqui evocando que esse movimento cultural seja uma coisa ruim e tal e coisa, contudo é um movimento que aconteceu única e exclusivamente na cidade de Recife. Mesmo que a cidade fosse a sede do evento, o encontro ainda se chamava NDesign Pernambuco, não?
Agora, junte-se a mim e vamos fazer um exercício de reflexão: Pernambuco é um pólo pulsante de manifestações culturais. Em toda a extensão do estado há tradições que evocam o orgulho de ser pernambucano, do litoral ao sertão. E então um grupo de designers de Recife não se dão ao trabalho de olhar mais a fundo o estado em que moram e pegam como inspiração um tema que está, convenientemente, bem ao lado? Isso me soou na época como absoluta e inegável preguiça. E não só pra mim, digo de passagem, mas para uma porção de colegas designers.
Muitos podem apontar esse descontentamento como despeito, pois eu não era de Recife e estava puxando o siri para o meu lado. Bem, de certo modo estava. Mas, inferno, eles não tinham feito isso primeiro?! ò_ó
Esse fato gerou até certa discussão através de uma rede social onde pessoas defendiam e atacavam a marca. No fim, modificaram-na, mas a proposta continuava a mesma, menos acentuada, mas a mesma proposta.
Outra vez, levanto um adendo. Não achei a antiga marca de mal gosto, tinha algumas falhas quando se pensa em aplicação, mas era coisa tão pequena que não vale nem a pena comentar. O que me deixou cabreiro mesmo foi que não representava o que tinha que representar. Funcionava para o NDesign Recife, e não para o NDesign Pernambuco.
Vejo alguns designers reclamarem da estereotipagem que colegas de outros estados fazem da cultura de Pernambuco, daí, quando temos uma oportunidade de mostrar ao cenário nacional a nossa cultura, escolhemos o tema mais clichê? WTF?!
A moral da história é a seguinte, queridos amiguinhos: se você vai utilizar elementos culturais de uma região como inspiração para suas criações, não fique na superfície. Estude, vá a fundo, vá a campo, converse com as pessoas, busque referencias. Resumindo: NÃO SEJA PREGUIÇOSO!
O único que deve ser preguiçoso é o usuário e não o designer. Estamos entendidos então?
Ótimo. Então até a próxima.
Elton R. Vieira | @EltonRVieira
segunda-feira, 24 de maio de 2010
O Design Regional, o NDesign Pernambuco e a Preguiça.
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